Se tem uma coisa que sempre dividiu opiniões entre os fãs de Mario é a profundidade — ou a falta dela — da história do encanador bigodudo. Durante décadas, a fórmula foi simples: Bowser sequestra Peach, Mario parte para o resgate, oito mundos depois tudo se resolve. E ponto. Mas, navegando pela internet, me deparei com uma publicação do Ethan, do Nintendo Everything, que contextualiza bem uma mudança silenciosa, mas significativa, na abordagem da Nintendo em relação à lore de Mario.
O texto parte de uma constatação óbvia: a Nintendo nunca colocou ênfase na história da franquia. New Super Mario Bros. Wii (2009) marcou o início de uma fase onde a trama foi tratada com ainda menos cuidado — e a série Paper Mario sofreu especialmente com isso, como em Sticker Star, cujo enredo é tão fino quanto o papel que o inspirou.
Mas algo mudou. E o ponto de virada, segundo Ethan, foi a ênfase recente em Super Mario Galaxy. O jogo sempre foi um caso à parte — mais melancólico, mais poético, com a história da Rosalina e seu livro de contos — mas a Nintendo foi além. Quando relançou Super Mario Galaxy 2 no Switch, adicionou um novo livro de histórias sobre Mari e Lu, dois Lumas gêmeos, e chegou a alterar oficialmente o gênero de Lubba em localizações fora do Japão. Não é uma mera correção: é uma declaração de intenção.
Mas não é só Galaxy. Donkey Kong Bananza trouxe arcos de desenvolvimento para a Pauline, explicou o longo sumiço do Rei K. Rool e dos Kremlings, e jogou uma bomba na linha do tempo: onde exatamente esse jogo se encaixa? A resposta é deliberadamente ambígua, e essa ambiguidade — longe de ser descuido — parece ser uma estratégia para manter a conversa viva. E funciona.
O caso mais surpreendente, porém, é Yoshi and the Mysterious Book. Um jogo do Yoshi com lore? Pois é. Nas páginas escondidas do livro, descobrimos que o universo de Mario é, tecnicamente, pós-apocalíptico — um impacto lunar causado por um Crazee Dayzee gigante dizimou parte da vida selvagem. Além disso, Kamek ficou preso no livro desde a época em que Baby Bowser era criança, o que explica sua ausência em vários jogos principais. É um daqueles detalhes que, uma vez lidos, fazem você reavaliar tudo o que sabia.
Ethan conclui que, mesmo sem uma "linha do tempo unificada", a Nintendo está claramente investindo em mais narrativa — mesmo que seja em migalhas. E eu concordo. Esses pequenos acréscimos não transformam Mario em uma saga épica, mas criam discussões genuínas e aprofundam o apego dos fãs ao universo.
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